Hoje começo a escrever sobre os meus sentimentos, sobre a dor da alma que se faz sentir em todo o nosso corpo, talvez desta forma eu consiga perceber realmente o que se passa comigo, como controlar, como ignorar, como aproveitar a vida e os que a vivem comigo.

 

Fui diagnosticada em junho passado com leve hipomania cíclica, um tipo de transtorno bipolar com sintomas mais suaves, são estados cíclicos de extrema depressão que logo viram para extrema euforia, quando vivencio o estado eufórico é bom, sinto-me capaz de tudo, parece que nada custa e a dor, por mais forte que seja não é suficiente para me fazer parar, eu riu, eu canto, eu sinto que tudo é lindo, o meu mundo perfeito, a minha confiança perante mim e o mundo está muito valorizada, consigo viver mesmo com a dor após um excesso cometido de forma descontrolada por mim, mesmo que o corpo diga tens de parar e eu não paro, não percebo, não quero ou é a minha ansia de melhorar, mas depois, o corpo começa a gritar mais alto e dor começa a sobressair sobre o meu lindo mundo, e a luz começa a divergir tornando meu dia cada vez mais cinzento, e logo passo para os momentos de solidão, de choro , de sentir que voltou tudo atrás, que não consigo sair deste ciclo que controla a minha vida. Nestes momentos, os ruídos me incomodam, as pessoas parecem mais do que realmente são, o meu ponto seguro é só e apenas o meu lar, onde nos primeiros dias, o mais seguro dos seguros é o meu quarto, tudo apagado, só eu e mais nada, passo horas a olhar apenas para o teto branco, talvez como forma de segurar a luz na minha vida. Estes momentos são muito cansativos, tanto de euforia como os depressivos, e por vezes questiono o que é ou não normal no meu comportamento. Fico com medo de falar, fico com medo de agir, porque tenho medo de me magoar, e aí eu percebo que talvez seja esse o meu estado normal, o medo de não saber quem sou de verdade.

 

Estou medicada e 3 meses ainda é fase de adaptação. Se tenho quadros cíclicos sim tenho, se os reconheço sim, não tão eufóricos, nem tão depressivos, acho que os vivo de forma clara, mais racional do que emocional ou talvez o contrário não sei. Ou talvez atrás de todo desequilíbrio e sensibilidade emocional eu tenha uma grande capacidade racional que me faz conseguir ter a percepção e tomar decisões.

Sinto-me mais apática em relação ás pessoas que nada me dizem, mas quando vejo bebés eu choro, eu rio, eu sinto vontade de os pegar, de os defender.

Incomoda-me ver e perceber como a nossa mente e nosso ser é facilmente moldado e alterado por estranhos através de redes sociais. Talvez seja informação a mais que faz com que nos humanos deixemos de ter uma personalidade e passamos a ter diversas ao longo da vida, talvez seja por isso que eu percebo muita hipocrisia, o que permitem a A e defendem já não permitem a B porque simplesmente não simpatizam. Os que se assustaram com as doenças e até participaram e ajudaram terceiros mais carenciados, agora a negar a sua existência porque viram vídeos, palestras, por supostos conhecedores, mas, que ninguém sabem quem são, eu acho que o fazem para serem diferentes, sabem a minoria, e usarem do seu direito de atacar e se ofender se for atacado. O que tem isso a ver com o meu distúrbio!? Tudo e Nada. Tudo porque a mim incomoda, me deixa ansiosa, agitada e dependendo do ciclo posso apresentar minha opinião sempre com o cuidado de não ofender, mas não poderei esconder a hipocrisia, xenofobia, bullying, racismo social cada vez mais patente atrás deste ecrã de 15 polegadas. Nada porque apesar do meu transtorno eu me moldo a mim mesma nos maus e bons momentos, mas na forma de reagir não de pensar, o meu ser é só meu.

Costumo dizer que Mania é pior do que loucura, mas quando provocada por outros pior ainda.  

Talvez com o tempo eu consiga escrever o motivo da minha crise, do meu trauma, da minha alma.

Quem escreveu este texto, Eu Depressiva, Eu Eufórica ou apenas a Eu?

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